Por Cláudia Helena de Oliveira
Ética é uma daquelas coisas
que todo mundo sabe o que é, mas quando alguém pede para defini-la, que
dificuldade. Uns respondem que uma pessoa ética é aquela que tem moral, outros
dizem que é aquela que tem caráter, e assim por diante. Na verdade estas afirmações
não estão nem corretos nem incorretas, visto que a ética traz consigo as
virtudes que fazem parte do caráter dos seres humanos.
A dificuldade em conceituar
a ética reside no fato de que ética é uma questão de princípio que se revela
nas atitudes das pessoas, e o mais importante é que não existe meio termo para
isto. Ou seja, não existe uma pessoa “meio ética”. Ou a pessoa é ética ou não é.
O termo
ética,
proveniente do vocábulo grego ethos,
significa costume, maneira habitual de agir, índole.
A literatura nos diz que a
Ética é uma ciência prática, de caráter filosófico, porque estuda o agir, a
conduta livre do homem, ou seja, ela estuda o que nós fazemos com o nosso “livre
arbítrio”. E é exatamente no uso deste livre arbítrio, nesta liberdade que
temos em escolher entre fazer uma coisa ou outra que nos revelamos enquanto
éticos ou não.
A ética para uma sociedade é
uma questão fundamental porque trata da forma como os seres humanos se
relacionam com os seus pares. Se pararmos para pensar, chegaremos a conclusão
de que o grande mal do nosso século é a indiferença que sentimos pelo nosso
semelhante.
Segundo a Filósofa Viviane
Mosé em entrevista exibida no Fantástico na série Ética e Indiferença – Ser ou
não Ser (30/05/2010), “a indiferença é a falta de atenção com a vida”. Para
ela, uma conduta ética é antes de tudo uma tomada de posição, uma atitude. Por
isto, nada mais antiético do que a indiferença, que é abandonar toda tentativa
de interferir nas coisas, de mudar. O que acaba tornando a violência, a
corrupção e o desrespeito, um hábito. E acrescenta ainda que “a indiferença
talvez seja um desejo de destruir aquilo que não temos coragem para mudar.”
Infelizmente para muitos de nós
não importa saber se aquele pedinte que encontramos pelas ruas não tem casa
para morar ou algo para comer. Apenas fechamos o vidro do nosso carro ou
passamos adiante e fazemos de conta de que nada está acontecendo a nossa volta.
Além disto, existe o outro
lado da mesma moeda. É quando nos preocupamos em ajudar o próximo desconhecido
e muitas vezes não prestamos atenção naquele próximo que divide o mesmo teto
conosco, que são os nossos familiares.
Aí, em meio ao estresse da
vida diária, onde não temos tempo para beijar o nosso filho, saber como foi o
dia o marido, ou simplesmente ligar para saber como a nossa mãe passou à noite,
somos pegos de surpresa com o seguinte questionamento: Por que a sociedade está
tão doente, tão sem valores, tão sem afeto? Por que no nosso ambiente de
trabalho existem pessoas que não tem atitudes éticas? Por que agente sempre se
depara com as notícias de concorrências desleais entre empresas em meio a
escândalos e fraudes? Será que agente não sabe mesmo a resposta para estas
questões?
É engraçado como agente
sempre procura colocar a culpa de tudo isto que está acontecendo, no outro, mas
é importante lembrarmos de que quem faz a sociedade, o mercado de trabalho e as
empresas, somos todos nós, inclusive eu e você.
É importante analisar que
pelo menos, a maioria de nós, veio de uma família, que é a célula primeira da
sociedade. É nela onde o ser humano cresce e aprende os primeiros valores para
depois ser lançado na sociedade onde irá conviver com o outro. Se este ser
humano não recebe carinho, amor, atenção, experiência de valores éticos dentro
da sua própria família, e vale lembrar que para isto, não importa a classe
social, nem o formato da família, seria no mínimo incoerente esperar que este
ser humano tenha atitudes de respeito, tolerância, solidariedade e de atenção
para com as outras pessoas ou até mesmo que tenha atitudes éticas no mercado de
trabalho.
Se eu pudesse deixar uma
mensagem para os pais e principalmente para as mães, visto que este mês é
dedicado a elas, seria a de que elas nunca deleguem o seu papel de mãe para
ninguém. Pois elas muitas vezes não se dão conta do quanto as suas atitudes
influenciam na vida de seus filhos e do poder de referência que elas são para
eles.
A rotina é corrida? Lógico.
Para todos nós que escolhemos constituir família e ainda assim se lançar no
mercado de trabalho. Mas de uma coisa não podemos esquecer. É de que temos uma
missão com o nosso maior projeto de vida, que são os nossos filhos. E esta
missão é a de colocar na sociedade homens de caráter, homens dignos de conviver
com os seus semelhantes, homens que não ajam com indiferença, e principalmente homens
éticos que tenham coragem de mudar a sociedade para melhor.
Cláudia Helena Oliveira de
Souto é graduada em Administração de Empresas pela UFPB, Especialista em Gestão
de Seguros pela Funenseg e FIR-PE, tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é
Corretora Oficial de Seguros e Professora da disciplina Ética Concorrencial
pela Funenseg.



