11/05/2012

Ética sobre o olhar de uma Mãe


     Por Cláudia Helena de Oliveira

       Ética é uma daquelas coisas que todo mundo sabe o que é, mas quando alguém pede para defini-la, que dificuldade. Uns respondem que uma pessoa ética é aquela que tem moral, outros dizem que é aquela que tem caráter, e assim por diante. Na verdade estas afirmações não estão nem corretos nem incorretas, visto que a ética traz consigo as virtudes que fazem parte do caráter dos seres humanos.

     A dificuldade em conceituar a ética reside no fato de que ética é uma questão de princípio que se revela nas atitudes das pessoas, e o mais importante é que não existe meio termo para isto. Ou seja, não existe uma pessoa “meio ética”. Ou a pessoa é ética ou não é.
O termo ética, proveniente do vocábulo grego ethos, significa costume, maneira habitual de agir, índole.  
          
       A literatura nos diz que a Ética é uma ciência prática, de caráter filosófico, porque estuda o agir, a conduta livre do homem, ou seja, ela estuda o que nós fazemos com o nosso “livre arbítrio”. E é exatamente no uso deste livre arbítrio, nesta liberdade que temos em escolher entre fazer uma coisa ou outra que nos revelamos enquanto éticos ou não.

         A ética para uma sociedade é uma questão fundamental porque trata da forma como os seres humanos se relacionam com os seus pares. Se pararmos para pensar, chegaremos a conclusão de que o grande mal do nosso século é a indiferença que sentimos pelo nosso semelhante.

      Segundo a Filósofa Viviane Mosé em entrevista exibida no Fantástico na série Ética e Indiferença – Ser ou não Ser (30/05/2010), “a indiferença é a falta de atenção com a vida”. Para ela, uma conduta ética é antes de tudo uma tomada de posição, uma atitude. Por isto, nada mais antiético do que a indiferença, que é abandonar toda tentativa de interferir nas coisas, de mudar. O que acaba tornando a violência, a corrupção e o desrespeito, um hábito. E acrescenta ainda que “a indiferença talvez seja um desejo de destruir aquilo que não temos coragem para mudar.”

     Infelizmente para muitos de nós não importa saber se aquele pedinte que encontramos pelas ruas não tem casa para morar ou algo para comer. Apenas fechamos o vidro do nosso carro ou passamos adiante e fazemos de conta de que nada está acontecendo a nossa volta.
Além disto, existe o outro lado da mesma moeda. É quando nos preocupamos em ajudar o próximo desconhecido e muitas vezes não prestamos atenção naquele próximo que divide o mesmo teto conosco, que são os nossos familiares.

      Aí, em meio ao estresse da vida diária, onde não temos tempo para beijar o nosso filho, saber como foi o dia o marido, ou simplesmente ligar para saber como a nossa mãe passou à noite, somos pegos de surpresa com o seguinte questionamento: Por que a sociedade está tão doente, tão sem valores, tão sem afeto? Por que no nosso ambiente de trabalho existem pessoas que não tem atitudes éticas? Por que agente sempre se depara com as notícias de concorrências desleais entre empresas em meio a escândalos e fraudes? Será que agente não sabe mesmo a resposta para estas questões?

    É engraçado como agente sempre procura colocar a culpa de tudo isto que está acontecendo, no outro, mas é importante lembrarmos de que quem faz a sociedade, o mercado de trabalho e as empresas, somos todos nós, inclusive eu e você.

      É importante analisar que pelo menos, a maioria de nós, veio de uma família, que é a célula primeira da sociedade. É nela onde o ser humano cresce e aprende os primeiros valores para depois ser lançado na sociedade onde irá conviver com o outro. Se este ser humano não recebe carinho, amor, atenção, experiência de valores éticos dentro da sua própria família, e vale lembrar que para isto, não importa a classe social, nem o formato da família, seria no mínimo incoerente esperar que este ser humano tenha atitudes de respeito, tolerância, solidariedade e de atenção para com as outras pessoas ou até mesmo que tenha atitudes éticas no mercado de trabalho.

     Se eu pudesse deixar uma mensagem para os pais e principalmente para as mães, visto que este mês é dedicado a elas, seria a de que elas nunca deleguem o seu papel de mãe para ninguém. Pois elas muitas vezes não se dão conta do quanto as suas atitudes influenciam na vida de seus filhos e do poder de referência que elas são para eles.

     A rotina é corrida? Lógico. Para todos nós que escolhemos constituir família e ainda assim se lançar no mercado de trabalho. Mas de uma coisa não podemos esquecer. É de que temos uma missão com o nosso maior projeto de vida, que são os nossos filhos. E esta missão é a de colocar na sociedade homens de caráter, homens dignos de conviver com os seus semelhantes, homens que não ajam com indiferença, e principalmente homens éticos que tenham coragem de mudar a sociedade para melhor.


Cláudia Helena Oliveira de Souto é graduada em Administração de Empresas pela UFPB, Especialista em Gestão de Seguros pela Funenseg e FIR-PE, tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é Corretora Oficial de Seguros e Professora da disciplina Ética Concorrencial pela Funenseg.


27/04/2012

Os desafios da vida acadêmica



Por: André Luiz Dias de França*


                A Gabriela Gadelha havia me pedido para escrever este post, só que com grande nostalgia fiz outro, resgatando tudo desde a graduação, foi quando, em meio a um puxão de orelha (brincadeira, Gabi), ela mostrou-me o verdadeiro foco e cá estou. Não sei se conseguirei falar dos desafios da vida acadêmica haja vista minha incipiente estada nela. Mas que ao menos, o que aqui relatar, sirva de entusiasmo para aqueles que desejam nela ingressar ou para os que acabaram de entrar e sentem-se sobrecarregados.

            Nunca tive contato com a pesquisa científica na graduação. Na minha época, Comunicação Social na minha instituição de ensino não contava com um Programa de Pós-Graduação e por isso, meu interesse veio pós-colação de grau na habilitação das Relações Públicas. Dos programas que consultei, identifiquei-me com o de Ciência da Informação, na Universidade Federal da Paraíba e iniciei a busca de editais em saber como se procederia para o ingresso e qual seria a proposta fim de pesquisa. Consultas foram, consultas vieram, candidatei-me a vaga de aluno especial, na qual somos registrados normalmente na disciplina em questão, obtemos notas ao final, tratamento igual aos mestrandos. Acho essa aproximação fundamental e sempre aconselho aqueles que desejam ingressar e ainda não tiveram contato com os professores de cursos strictu sensu (mestrado e doutorado), a se aproximarem dos programas que têm alguma afinidade, quanto para conhecer os docentes e aquilo que pesquisam, tanto para conhecerem os docentes e aquilo que pesquisam, quanto para conhecerem melhor a que o programa de pós-graduação se destina. No caso de uma futura aprovação na seleção, a nota e os créditos da disciplina podem ser abatidos e aproveitados. 

            Assim, fiz parte de uma turma da disciplina intitulada Arquitetura da Informação para Web, em que, em grosso modo, analisam-se as melhores práticas de se disponibilizar a informação aos usuários na Internet. Foi nessa disciplina que conheci aquele que seria meu professor orientador. No primeiro dia ele disse: “Aluno especial tem que se dedicar mais que os efetivos, pois tem de mostrar que merecem mesmo entrar aqui.” Confesso que deu um frio na espinha (coluna para outros), mas sabia que deveria ali permanecer e conhecer melhor suas atividades e o programa como um todo. A disciplina decorreu um semestre todo, com leituras densas e em língua estrangeira, livros e livros para resenhar e seminários para apresentar e ao final de tudo, ainda fazer uma prova e apresentar um artigo digno de ser publicado. Ufa, pensei: se uma disciplina já parecia ser exaustiva, imaginem todos os créditos que terei que pagar para poder iniciar a pesquisar. Decidido, fui em frente.

            Para entrar nesse mestrado, não consegui de primeira tentativa, mas não desisti e sempre mantive contato com o referido professor no intuito de manter o ritmo de leituras e alinhar nossos pensamentos. Na segunda tentativa, um ano após, elaborei melhor um projeto e me apliquei mais nas avaliações escrita e oral. Só o que ficava um pouco aquém era o famigerado Currículo Lattes, que sem contato prévio com a pesquisa científica na graduação, apresentava-se bastante limpo. Mas, quando a gente nota nossas fraquezas, conseguimos melhor investir nas potenciais qualidades que certamente temos e assim equilibrar a balança na hora da avaliação. Foi assim que consegui entrar no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação.
            Feliz da vida, estava lá com mais 24 colegas em sala e mais uma vez, o gelo me veio a arrepiar quando ouvi de uma professora: “na minha disciplina é ler, ler e ler... ler até morrer”, até rimava, vejam só. Oh, pensei: existe mesmo vida durante e após a dissertação? A rotina era bastante dura e ainda tinha de trabalhar na chefia de um cerimonial institucional. Para “piorar” (melhorar, né?!), ainda tive o prazer de ser indicado para ser docente em dois cursos de uma instituição de ensino superior da cidade. Era coisa de louco, mas sabia que aquilo tudo tinha dia para aliviar e nada mais era que investimento futuro em mim mesmo. Não é fácil, tem de gostar, mas quando você tem interesse, dá um prazer sem igual. Assim, continuei, até a qualificação, que diferente da graduação, no mestrado, são duas bancas de avaliação, a primeira foi essa, e a segunda, ao final.

            Até a qualificação, fim do primeiro ano, temos que escrever a dissertação além de cumprir créditos através das aprovações em disciplinas, isso varia muito pouco de programa para programa, via de regra é mais ou menos assim. E lá estava eu, com uma banca composta para avaliar minha pesquisa até o momento, que se propunha a estruturar o fluxo de informações no Sistema Nacional de Transplantes sob a óptica da Análise de Redes Sociais. O objetivo desta primeira intervenção é averiguar se o mestrando está trilhando um caminho adequado e como serão os próximos passos. Isso nos dá uma boa segurança já que como estamos no meio do caminho, podemos avaliar e ajustar alguns passos. Com as dicas anotadas, fui ao campo.
            Como falei, nunca tive experiência com a vida acadêmica, mas comecei a perceber que, nós Relações Públicas tínhamos alguma facilidade em nos adaptar com a rotina pesada de estudos e leituras, penso ser pelo fato de do começo ao fim de nossa graduação, a nossa ferramenta ser a pesquisa. Tudo que um Errepê faz, parte dela. E está aí, uma oportunidade, sim, pois os futuros e atuais relações públicas precisam saber que a carreira docente pode ser uma excelente opção além do mercado de trabalho. O difícil é que aqui no Brasil, a pesquisa gira em torno da iniciativa pública. Lá fora, grandes empresas têm seus próprios centros e são vorazes em cooptar profissionais que desejam ser seus pesquisadores. Esse para mim é o grande desafio de se pesquisar em nosso País. Mas, pela formação em que a pesquisa é ferramenta fundamental de toda tomada de decisão, sempre me senti mais à vontade em ir a campo, coletar e analisar dados para poder fundamentar minhas decisões, propondo-me a estudar algo em que pudesse ter em mãos materiais que subsidiasse minhas considerações à frente. Assim foi, e ao final de mais um ano de muitas turbulências, atrasos em cronogramas (muito comum, principalmente se dependermos de vontade alheia), sem natal e comemorações de ano novo, consegui concluir minha dissertação, apresentá-la e receber o título de mestre no início deste ano.

            É assim que agora, pensando já em um doutorado, vejo com muita satisfação e alegria que tenho trilhado caminhos saudáveis, conseguindo desenvolver atividades de minha formação em Relações Públicas e pesquisando assuntos que penso poderem ser relevantes para a sociedade.
            Com todas as barreiras que são postas em nosso trilhar, quando a gente traça objetivos, a gente consegue melhor visualizar nosso horizonte. Nessa toada, ainda com um tom nostálgico, que resgato a epígrafe de minha monografia quando virei um Relações Públicas há uns cinco anos, que bem destaca a importância em se saber o que se quer:

“Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? Perguntou Alice
Isso depende muito de para onde queres ir - Respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - Disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.”
Lewis Carrol – Alice no País das Maravilhas


Um forte abraço,

André Luiz Dias de França

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*Graduado em Comunicação Social – Relações Públicas;
Especialista em Língua Portuguesa e;
Mestre em Ciência da Informação.
Email: andreluizjpb@gmail.com
Twitter: @AndreLuizDdeF

13/04/2012

Recomeçar

Então pessoal, depois de alguns meses em stand by, estou de volta...

       O nosso Blog está de cara nova, com temáticas, assuntos e experiências diferentes neste novo cenário da Comunicação, espero que gostem.

Então vamos lá!

    Em agosto de 2011 eu estava lançando o meu Blog "Pensando as Relações Públicas e a Comunicação Digital" Resolvi criar o blog com o objetivo de ser mais um canal de comunicação e informação para abordar assuntos relacionados às Relações Públicas e à Comunicação Digital. O importante mesmo era se comunicar.

      Tive que dar uma pequena pausa, pois precisava organizar meus pensamentos e planos. Como alguns que me conhecem de perto sabiam que eu queria mesmo mergulhar em águas mais profundas neste novo cenário midiatizado, cheio de inovações e interações.

     Pois bem, iniciamos o post com o querido amigo Marcelo Chamusca, que soube de forma sucinta e fantástica descrever de fato o que é ser um Relações Públicas. Depois tivemos excelentes contribuições das RP’S Márcia Carvalhal e Carolina Terra. Sem falar de todos aqueles que contribuíram direta e indiretamente, dando suas opiniões e comentários.

     O ano de 2011 foi marcado de muita dedicação, esforço e muito estudo para alcançar meu principal objetivo, O MESTRADO. Confesso que adoro desafios, pois eles são como energias dentro de mim.  Não foi uma tarefa fácil, mas também ninguém disse que seria. Então arregacei as mangas e fui à luta como Mulher Paraibana e Nordestina que sou. (Lembrei-me do Profº Wellington Pereira neste momento, rsrsr).

      No começo de qualquer seleção ou até mesmo concurso nosso primeiro pensamento é de incapacidade, uma sensação de que não estamos preparados para aquele desafio, que existem trilhões de candidatos melhores e isso de fato acontece e como acontece (Quem sabe disso é meu noivo Eduardo que teve que me aguentar neste período que me sentia incapaz). Mas, tudo requer planejamento, e como profissional de RP que sou tratei logo de fazer o meu. Não é verdade Laís Muniz? Amiga guerreira que estava ao meu lado nesta incansável luta.

      O primeiro desafio foi passar como aluna especial e o PPGC parece que faz de propósito colocando o resultado para sexta-feira às 20hs só para nos deixar mais angustiados e ansiosos. Sabe aquela sensação de passar no vestibular? Senti a mesma sensação! Não sabia se sorria ou se chorava, só sei que dava pulos de alegria. Estava cada vez mais perto de alcançar meu objetivo. Sabe que gostinho tem? É inexplicável.

    Depois começou um novo desafio: A elaboração do Projeto de Pesquisa. Mas o que estudar? O que pesquisar? Qual orientador poderá aceitar minha pesquisa? Quais livros ler primeiro? Milhões de dúvidas e perguntas me acompanhavam ao longo do ano. Depois de fazer o seminário realizado pelo colegiado, fui abrindo minha mente e desenvolvendo meu projeto. Neste período pessoas especiais passaram na minha vida, em especial Tarcineide Mesquista que além de minha amiga se tornou minha “orientadora”.  E aos mestrandos de 2011 que compartilharam suas experiências e que contribuíram para a minha aprovação.

    Sou muito ansiosa em tudo na minha vida e esta seleção não poderia fugir a regra. Chegava a hora de enviar o projeto e com ele vinha à pergunta: “Será aceito?”. Depois de 15 dias veio à resposta. ACEITO! Ô Glória! Agora é focar na prova. Paralelamente também estava concorrendo à seleção de Natal, então foram duas seleções e todas as sensações em dobro e alegrias também. O dia da prova da UFPB era no mesmo dia da apresentação da UFRN. Este dia posso dizer que foi o mais cansativo, estressante e emocionante. Enfim, foi “peso”.

    Logo depois foi o dia da entrevista e as indagações começaram: O que falar? Como falar?  Meu projeto era quase minha agenda, estava sempre comigo. Detalhe, tinham oito pessoas para sete vagas teoricamente (nossos “achismos”)ai que eu ficava agoniada mesmo.Pois o meu pensamento era que eu seria a eliminada.

    Chegou o grande dia. Não consegui dormir direito de um dia para o outro. Mas quando acordei pensei: “Não vou me estressar. Este resultado só sairá no final do dia”. E assim iniciei meu dia. Só que ás 07:00h da manhã recebo uma SMS de Laís me parabenizando pela aprovação e me informando que ela não havia passado. Você vai do céu ao inferno no mesmo instante. Estava imensamente feliz por ter passado no Mestrado de comunicação de ter conquistado esta vitória em minha vida, mas por outro lado estava muito triste pelo fato da minha amiga não ter passado. Só que aprendi que tudo nesta vida tem seu tempo e momento certo. Hoje Laís está grávida e morando em Recife. No final todos os 8 candidatos  passaram inclusive eu. Amém!

Chegou 2012!!!

   E com ele as aulas do Mestrado da minha linha de pesquisa: Mídia e Cotidiano. Tornei-me integrante do GRUPECJ. E com eles novos desafios, dúvidas e decisões a tomar. Este primeiro semestre está sendo muito importante tanto profissionalmente como pessoalmente. É sempre gratificante a convivência e interação com novas pessoas e culturas diferentes.

    Quebrar paradigmas é o que estou fazendo. Utilizando da percepção e da representação para entender este novo COTIDIANO.

E Será Pensando a Comunicação Midiática e o Cotidiano que retomo o meu BLOG. Com as minhas experiências e as dos demais pesquisadores da área que estão aprendendo a aprender.

Sejam novamente bem-vindos ;)